São os Apóstolos de hoje os Apóstolos de Cristo? – Parte V

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APOSTOLADO NA ATUALIDADE: MODISMO OU FATO?
    “Para que tome parte neste ministério e apostolado, de que Judas se desviou, para ir para o seu próprio lugar’.
    Atos 1:25

    É fato que atualmente, muitos são tidos por Apóstolos, usam a nomenclatura de Apóstolo, e realmente crêem que são verdadeiros Apóstolos do Senhor Jesus.
    Tal sentimento emana das mais diversas correntes cristãs, Ortodoxas, Neo-ortodoxas, Seitas Cristãs, Liberais, etc. Neste contexto, o mundo é inundado por uma febre justamente no momento em que o cristianismo passa por um momento de popularização, e que muitos homens e mulheres ‘agregam-se’ na religião do momento, a fim de estarem de acordo com a nova tendência social.
    Alguns grupos como os Mórmons, e Denominações evangélicas como Renascer em Cristo, Igreja Mundial do Poder de Deus, e outras que desconhecemos o nome, assumem abertamente a existência do Cargo Apostólico hoje, e fica patente que os que assim são empossados como tais, exercem autoridade sobre os demais ‘oficiais’ da Igreja, e acabam deixando claro um sentimento de ápice eclesiástico para aqueles que de fora observam todo este “frenesi espiritual”.
    Nesta Dança da razão, dois grupos se chocam, os que adotam o Cargo de Apóstolo, chamando normativamente de ‘Ministério Apostólico’, e os que se contrapõem a idéia denominando como modismo este ‘tal movimento Apostólico’. Um terceiro grupo pode se levantar, deixando à cargo de Deus a existência ou não deste cargo.
    Na história da Igreja, não se tem conhecimento de esforços para selecionar novos Apóstolos para suceder os doze após sua morte (At 12: 2). Com o passar do tempo, as exigências para que alguém se qualificasse Apóstolo não poderia se cumprir. Tal esforço só é percebido em At 1:26ss, quando Matias é escolhido por ‘preencher’ os para o Apostolado.
    O Testemunho de mais de dois mil anos de história é que Apóstolos (sujeitos), foram somente aqueles escolhidos, nomeados e comissionados por Jesus para serem as colunas da Igreja, comunidade espiritual de Deus (Lc 6: 13).
    O que compreendemos dos Apóstolos pós-modernos, está atrelado mais a natureza humana do que a vocação Divina; Em busca de posição, poder e status, muitos ‘se consagram’ Apóstolos, se encantam com o título, a declaram absurdos como o “ser a Voz de Deus em português para o Mundo” (Apóstolo Miguel Ângelo – Convenção Internacional), de “possuírem o direito de serem chamado de Pai pelos membros da Igreja” (Apóstolo Estevam Hernandes – Renascer em Cristo), de instituírem novos conceitos doutrinários como é o caso do “Trízimo” o que corresponde à três vezes o valor do Dízimo (Apóstolo Valdomiro – Igreja Mundial do Poder de Deus), usando de palavras persuasivas para se tornarem incontestáveis “não questione a identidade do seu líder” (Apóstolo Renê – Terra Nova), fazendo do dinheiro dos fiéis meio de conforto e ostentação, conforme publica denúncia da revista Época. Os tais fazem da ascensão uma filosofia Ministerial. Numa agitação nunca antes percebida nas igrejas para ver quem é o maior, quem está na vanguarda da revelação do Espírito Santo, quem ostenta a unção mais eficaz. Os que se apavonam do título são os Líderes de ‘Megadenominações’ que mobilizam grandes multidões.
    O Dom Apostólico não está sendo questionado aqui; Cremos na supremacia do Espírito Santo, que deu uns para apóstolos… Para um crescimento sadio de sua igreja. Grandes homens de Deus exercem inspiradamente este dom ainda em nosso século, e muitos outros exercerão com a graça de Deus este dom até a volta de Cristo, o incrível é que tais anjos do Senhor não assumem a função de Apóstolo, mas apenas de servo, fazendo sem a ostentação do título grandes Obras ordenadas pelo Senhor.
    Os que assim assumem-se como Apóstolo, considerando o seu suposto dom como Ministério, Apoiados em suas pretensões, afirmam algo hoje inexistente, talvez baseados no texto de Atos 1:25, quando Pedro, em seu discurso para escolha de um substituto de Judas, usa a expressão “Ministério e Apostolado”, porém, diante de uma análise mais rebuscada, além de percebermos que o conectivo “e” diferencia o dois termos, veremos que tal partícula no grego “κὰι”, uma conjunção coordenativa, que nada mais é que uma palavra que liga duas orações ou termos de mesma função na oração.
    Os dois termos ligados nesta oração são διακνίας e ̀αποστολ͡ης. O primeiro termo é normalmente traduzido por Ministério, talvez este seja o motivo da grande confusão, pois aos olhos menos cuidadosos, Ministério não soa como algo diferente de Apostolado, entretanto, considerando a Conjunção Coordenativa que liga os termos mostrando uma interdependência, e trazendo o verdadeiro sentido de Ministério implícito no termo διακνίας, que sabemos significar SERVIÇO, podemos traduzi-lo como Serviço e Apostolado; o Serviço seria o de edificar a igreja sobre a Pedra Angular que é Jesus Cristo, e o Apostolado seria a missão dada aos Doze de expelir demônios e cura de toda sorte de enfermidades sendo literalmente  ̀αποστολ͡ης, ou seja, Enviados aos perdidos da casa de Israel, pregando que estava próximo o Reino, curando enfermos, ressuscitado mortos, curando leprosos, dando de GRAÇA o que de graça receberam , enviados como ovelhas no meio de lobos, ensinando e pregando nas cidades deles (Mt 10: 5~42 e 11:1), este ministério foi estendido ao mundo não Judeu, mediante a exortação de Deus à Pedro (At 10:1ss e 11:1~18) e a Comissão dada à Paulo de Levar o Evangelho aos gentios (At 9: 10~19; Rm 11: 13; I Co 1:1, 9:1; Gl 1:1; IITm 1: 1, 11).
    Os Apóstolos do nosso senhor Jesus Cristo, os Doze e Paulo, proferiram Palavras reveladas pelo Espírito Santo, assim como fora aos santos Profetas (Ef 3:5; Jd 17).
    Na época do Apóstolo João já existia homens que se declaravam Apóstolos, mas que na verdade não eram (Ap 2: 2), pois o cordeiro possui seus verdadeiros Apóstolos (AP: 21: 14), comissionados por Ele, e tendo recebido dEle autoridade especial para representá-lo e cuidar da doutrina de sua Igreja.
    Verdade seja dita que, após os escritos do Livro do Novo Testamento, antes do fim do século I d.C., tais escritos cessando com o Apóstolo João (95 d.C), os escritos Cristãos não canônicos não cessaram, num período de aproximadamente 55 anos, varias obras foram redigidas por homens que conheceram os Apóstolos e sua doutrina; tais personagens são chamados de pais apostólicos, dos quais citamos como exemplo: Clemente de Roma (Bispo de Roma entre 91 e 100 d.C), que é autor do documento cristão mais antigo, depois do Canon do Novo Testamento, que sobrevive até hoje (Carta à Igreja de Corinto). Além deste documento, temos: Epístola de Inácio (110 d.C), Epístola de Policarpo (110 d.C.), Epístola de Barnabé (90~120 d.C), Didaquê (100 d.C) e o Pastor de Hermas (150 d.C). Tais Livros não devem ser confundidos com os Apócrifos escritos a partir do século II, que possuem textos absurdos e falsificações posteriores.
    Entretanto, tais livros não-Apócrifos e não-Canônicos, não possuem a mesma autoridade dos escritos apostólicos, pois a revelação dada cessou com o Apóstolo João, e de lá para cá, não se admite mais inserções, assim como não se admite mais Apóstolos na mesma chamada dos Doze e Paulo.
    Tratar como modismo o título de Apóstolos encontrados em cada esquina seria o mais brando tratamento que se permitiria. O Fato da soberania do Espírito Santo em separar para sua igreja homens para o Apostolado, não permite que suscitemos um título que não fora para nossa época. É importante frisar o que é Apóstolos hoje, quem são e como atuam.
    Apóstolos, como Pedro, os Onze e Paulo não são mais comissionados pelo Senhor; Agora, o Espírito Santo, segundo sua vontade, concede dons aos homens, para que a igreja continue sendo edificada e alcance a estatura daquele que a chamou das trevas para sua maravilhosa Luz.
      CONCLUSÃO
      Apóstolos do Nosso Senhor Jesus Cristo. É assim que são chamados os Doze Apóstolos, e Paulo Afirma que seu apostolado fora concedido pela vontade do Senhor.
      Como, porém, poderíamos classificar os que hoje se dizem Apóstolos? Será que a Igreja do Senhor poderia definir quem são de fato Apóstolos? Como poderíamos estar aptos para fazer o que a igreja primitiva não fez? Não vemos registros desta Igreja consagrando Apóstolos, ou na história posterior que tal cargo fora repassado. Só existiram os Apóstolos do Nosso Senhor Jesus, especialmente por Ele escolhido e enviados, o que faz Jus ao nome assim normatizado, sendo este o significado do Título.
      Os Doze embaixadores do Rei e o Apóstolo dos Gentios, dividiram seu legado conosco, de Graça, conforme a orientação do próprio Cristo. Porém a sua função não era transferível, pois não pertencia a estes o decidirem quem seriam Apóstolos, apenas eram comissionados a irem aos seus irmãos e o abortivo aos gentios.
      Somos servos. Também podemos ser apóstolos, quando assim o Espírito Santo decidir nos enviar para seu propósito, seja aqui ou em qualquer lugar deste mundo. É um dom, não um cargo.
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      REFERÊNCIAS
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      • Gingrich, F. Wilbur. – Léxico do N.T. Grego/ F. Wilbur Gingrich; – São Paulo: Ed. Vida Nova.
      • Taylor, William Carey. – Dicionário do N.T. Grego/ William Carey Taylor; – 10º Edição, Ed. Juerp.
      • Buckland,  Rev. A.R., M.A., et al – Dicionário Bíblico Universal/ Rev. A.R. Buckland; P. 35 – Ed. Vida.
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      • Gondim, Ricardo – Não quero ser Apóstolo – Disponível em <http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=61&sg=0&id=352> Acessado em 27Ago2010.
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      Esta publicação foi escrita por Gregório Júnior e publicada em setembro 16, 2010 às 4:07 am. Está arquivada em Apóstolos, Estudo. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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