O Sermão da Montanha – Os Confrontos

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Mateus 5:17-26
 
Elaborado por Ana Maria Suman Gomes
anasuman@pibrj. org.br
 
Estudar o que Jesus nos ensinou neste sermão é muito desafiador. Até aqui estávamos analisando como Jesus descreveu o crente. Vimos como somos e depois o que deveríamos ser em função da nossa vida transformada: sal e luz. Agora, diante de nós os exemplos de como devemos ser sal e luz. Esta é a primeira de uma série de três reflexões sobre os confrontos e como lidar com eles. Hoje estamos iniciando a série, e isso a partir da definição de alguns princípios básicos. Nosso texto está em Mateus 5: 17-26.
 
Os ensinamentos que se seguiriam estavam em absoluta concordância com o Antigo Testamento e em completa desarmonia com o que os fariseus e escribas ensinavam. Jesus não somente afirmou o que era correto, mas fez questão de mostrar o que estava sendo ensinado e praticado erradamente. Claro que tudo isso gerou conflito, e somos gratos a Deus porque Mateus nos preservou tantos detalhes a respeito do pensamento de Jesus.
 
A esta altura, vamos fazer uma pausa para lhe dizer que há duas dificuldades que os estudiosos do texto bíblico encontram na forma como Jesus agiu. A primeira delas, são os que acreditam que tudo quanto Jesus fez foi dar continuidade à Lei.  Ou melhor, os evangelhos nada mais seriam do que uma admirável exposição da Lei e Jesus, um Mestre da Lei. Os que pensam assim dizem que o cristianismo somente surgiu com o apóstolo Paulo, seu fundador. A segunda dificuldade está no oposto ao que acabamos de saber. Dizem os que defendem essa posição que Jesus aboliu completamente a lei e colocou, no lugar da lei, a graça divina. Nada temos mais com a lei, dizem, somos a geração da graça.
 
Jesus mostrou que essas formas de pensar estavam completamente erradas. A Lei, entregue ao povo de Israel, era composta de três partes: moral, judicial e cerimonial. Você terá a distinção entre cada uma delas, lendo com atenção Êxodo e Levítico. Jesus afirmou que veio para cumprir a Lei. A palavra cumprir, empregada por Jesus, quer dizer prestar plena obediência, levando às últimas conseqüências tudo o que fora dito e declarado tanto na lei como nos profetas, aqui entendido como o conteúdo dos livros proféticos do Antigo Testamento. É útil fazer este destaque, porque vivemos dias quando há pessoas que pensam que podem seguir a Jesus Cristo, sem levar em consideração o que está no Antigo Testamento, o que é impossível.
 
Jesus deixou claro que a justiça do cristão ultrapassa a dos fariseus. Não se trata aqui de conseguir ou não cumprir os 248 mandamentos que os fariseus apregoavam. É diferente: a justiça do cristão é a justiça do coração. A obediência dos fariseus era externa, formal, conformidade rígida à letra da lei. Jesus surge com um desafio maior: as exigências de Deus são muito mais radicais porque devem surgir do interior da pessoa, ou seja, como fruto de uma vida regenerada, onde o Espírito Santo habita. Dr. Martyn chama a nossa atenção para o fato de que pode ser possível que sejamos regulares na freqüência à Igreja, mas sermos ao mesmo tempo invejosos e sem respeito pelos outros. Jesus mostrou que a menos que a nossa justiça exceda em muito essas exigências religiosas meramente externas, jamais pertenceremos ao Reino de Deus.
 
Para demonstrar isso, vem a fórmula que tanto nos emociona: ouvistes o que foi dito aos antigos…eu, porém, vos digo. A partir desse modo de chamar a atenção dos seus ouvintes, Jesus faz seis declarações importantes e essenciais para os que desejam segui-Lo. Vamos precisar usar alguns minutos para compreender o que acontecia e isso também com a ajuda do Dr. Martyn: quando Jesus proferiu estas palavras, a situação na Palestina era similar a dos filhos de Israel que voltaram do cativeiro babilônico para a sua terra. Eles não se lembravam mais do hebraico, mas somente do aramáico. Por isso, não podiam ler a lei de Moisés, dependiam inteiramente do ensino dos fariseus e escribas. Por isso Jesus usou o verbo ouvir. Seria como se estivesse falando: é isso que vocês têm ouvido, o que tem sido dito a vocês…mas o que vocês têm ouvido não é a Lei e sim o resultado de um ensino distorcido, interpretado, adicionado.
 
Quando Jesus afirmou: eu, porém, vos digo está demonstrando aqui a Sua grande autoridade. Mais ou menos poderiam entender assim: eu estou interpretando para vocês a Lei de Moisés; e a verdadeira interpretação é a minha e não a dos escribas e fariseus. Eu, que estou falando, sou Aquele que é responsável pela Lei de Moisés: fui Eu quem a dei a Moisés e somente Eu, mais ninguém, pode interpretá-la. Aqui Jesus fala com verdade, como Deus, pois era Deus. Quanta alegria sentimos ao enxergar Deus conosco!
Jesus não veio introduzir um novo código de ética. Não se trata de trazer uma nova Lei, mas sim em transmitir vida. Estabelece princípios e pede que o apliquemos. Se tomarmos as seis declarações feitas a partir do “Eu porém vos digo”…  descobriremos que Jesus se utilizou de um mesmo princípio básico para todas elas: o que importa é o espírito da Lei, antes de qualquer outra coisa e não somente a letra da Lei; a conformidade à Lei não poderia ser concebida em termos de ações: os pensamentos, os motivos têm igual importância. Resumindo: o propósito da Lei não é meramente o de impedir que pratiquemos certos erros; seu objetivo real é levar-nos a fazer o que é direito e amar o que é direito, desenvolver nosso caráter espiritual, dizer-nos quem é Deus e nos ajudar a compreender que esse Deus, por meio da disciplina, nos faz viver como Ele quer.
Diante disso, cumpre-nos chegar aos dois itens de aplicação imediata: não matarás e não cultivarás o ódio.  Poderíamos discorrer muito sobre cada um desses itens, mas o tempo não permite. Raca, palavra usada para insultar a inteligência da pessoa: quem disser a seu irmão: você não vale nada…quem chamar seu irmão de idiota…sujeito indigno…Essas palavras que nunca conduzem ao homicídio, diante de Deus têm o mesmo valor do homicídio. Os rabinos ensinavam: quem matar, será réu de julgamento. Jesus dizia: quem sem motivo se irá, estará sujeito a julgamento. Ou ainda: não imagine que você está sem culpa porque não cometeu homicídio literal. Qual o estado do seu coração? Como você reage às coisas que lhe acontecem? Você explode de cólera, quando alguém faz algo de errado contra você? Estas são as perguntas que importam. Para coisas assim que Deus determinou: não matarás. O homem vê o exterior, mas Deus, o coração.
 
Jesus quer mais: não basta que não abriguemos pensamentos ruins contra outros, não matarás significa também dar passos na busca da reconciliação. Dr. Stott tenta nos ajudar: “se você estiver na igreja, no meio de um culto de adoração, e de repente se lembrar de que seu irmão tem um ressentimento contra você, saia da igreja imediatamente e vá fazer as pazes com ele. Não espere que o culto termine. Procure seu irmão e peça-lhe perdão. Primeiro vá, depois venha. Primeiro vá reconciliar- se com o seu irmão, depois venha  ofereça a sua adoração a Deus.”
 
Muito sério, não acha? Realmente, Jesus tinha uma forma bem mais consistente de nos ajudar a enxergar a Lei. Continuaremos a apresentar esses fatores de conflito, no próximo encontro. Até lá!
 
Estudo 3 – ” – I (Cristo, a lei e o ódio)
Recebido Através de E-mail


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Esta publicação foi escrita por Gregório Júnior e publicada em fevereiro 17, 2010 às 7:13 pm. Está arquivada em Uncategorized. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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